[disfarce seu desprezo]

[sinceridade disfarçada]

9 Janeiro, 2009 · 7 Comentários

Às vezes fico na expectativa de que meus dias possam ser mais interessantes para que eles pudessem ser relatados. Sempre tive vontade de ter um diário pessoal, mas não sei muito bem ser sincero comigo mesmo.

Parece que quando as coisas partem da minha cabeça para o papel elas já vem carregadas de um certo receio de alguém possa lê-las e, assim sendo, possa me descobrir. Porque, tentando explicar as coisas direitinho, eu sou muito sincero quando escrevo.

Só que a minha sinceridade é bem lotada de entrelinhas, de viagens não tão viagens, como uma forma de me proteger da minha própria capacidade de falar sobre mim. E, quando penso em escrever um diário, fico me perguntando o quanto eu poderia ser extremamente sem rodeios ao ponto de não ter medo de que ela venha a ser achado.

Mas, daí também vem uma certa vaidade de poder ser lido. A idéia de identificação, até mesmo da repulsa, mas nunca da indiferença com o que eu escrevo. O Pedro já me disse que eu deveria ser pago para escrever sobre mim mesmo, tamanha intenção que tenho de me mostrar.

Sabe aquela teoria que faziam sobre serial-killers, de que eles sonhavam em ser pegos? Se pra eles isso é mentira, pra mim (que não tenho nenhuma relação com o sr. Lecter ou seus amigos de hobby) cai diretinho. Eu tenho medo de ser completamente sincero, por achar que sou verdadeiro demais na exposição dos meus defeitos.

Não tenho mais do que ninguém, mas também não os nego. Mas existem certos aspectos, que nem se enquadram na definição de defeito, que me fazem bloquear minha total sinceridade. Minha mãe diz que sou sincero demais com as pessoas, confio demais nelas e não quero enxergar quando me enganam, e ela está certa.

Mas, ao mesmo tempo, sou de uma carência atroz, que me faz exigir demais das pessoas quando elas tem um pouco que seja de amor por mim. É meio paradoxal, mas saber que você me ama me faz ter uma certa necessidade de que isso seja provado sempre, simplesmente porque sou carente demais pra acreditar que isso possa ser uma verdade completamente despida de interesses.

Já fiz muita merda por ter tanto medo de perder quem eu amo, inclusive coisas que dariam motivos suficiente pra que elas me deixassem mesmo, assim, facinho. Seja duvidando do que elas sentem, seja implicando até o ponto deles quererem me bater (bêbado chato, eu? Imagina) e até mesmo ficando longe do nada só porque eu… sei lá o porquê!

Daí, sendo eu essa pessoa tão inconstante e medrosa (mas também posso ser legal, viu pessoas que não me conhecem e só lêem o blog. É porque aqui me detono mesmo), fico guardando certos aspectos que, na minha opinião, possam me afastar ainda mais dessas pessoas.

Esse ano eu resolvi ser menos egoísta e isso consiste em não tentar, a todo custo, pensar que não dependo das pessoas, idéia de jerico que eu tentava incutir só para depender menos. Não nasci para ser daqueles personagens de filme que são super independentes e não sorriem porque não gostaram da piada.

Eu sou daqueles que adoram mesmo receber uma mensagem de pessoas que estão longe (né, Sanmya?), que vibram com uma troca de e-mails furtiva para falar do dinheiro que o chefe está devendo e até mesmo acha legal ficar falando da vaca maldita que tem um cheiro impregnante.

E, se ser completamente sincero é uma vantagem, não sei. Acho que ninguém o é, por isso vou tentar perder todo o receio de ter parado nessa busca. Até porque, caso vocês me conheçam por completo, qual será a graça de a gente continuar junto?

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[come closer, 2009]

4 Janeiro, 2009 · 6 Comentários

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Pode vir quem seja com seus roteiros de vida, suas certezas atéias e suas crenças descrentes. O certo é que acho que ano novo tem tudo de necessário pra que a gente faça novas resoluções de vida, numa onda de auto-comiseração embelezada com a passagem de um número pra outro.

 

Eu acho mesmo que podemos mudar certos aspectos da vida usando o reveillon como ponto de partida e que, quando acontece alguma coisa muito boa logo no início do ano, ela vem para mostrar que o resto dele vai acompanhar. Meu 2008 se acabou num ‘avexado’, com uma sensação de pressa, de possibilidade e de certeza que me deixou tão inebriado que não soube lidar com o quanto eu estava feliz.

 

Acabei ficando meio estático, pensativo ou chato, se formos na definição dos meus companheiros de viagem, mas era porque a sensação de felicidade plena era tão certa, a embriaguez causada pela cerveja tão intensa, que findei por acreditar que aquilo tudo era verdade e que em 2009 eu ouviria sininhos tilintando em meio as chuvas que vem banhar Teresina de mais uma chance.

 

Lavei com sal de mar o pouco que foi de ruim de 2008 (bem pouco mesmo), engoli um tanto d’água pra garantir mais um pouco de distância do que possa vir de mau e decidi algumas coisas. A primeira, necessária, é que a minha vida social precisa ter uma pausa. Sair uma média de cinco vezes por semana durante três anos é suficiente pra qualquer um ver que a noite tem possibilidades mil, mas tem o preço.

 

Deixei de ler muito, deixei de ver todos os filmes legais que deveria ter visto, porque o dia era pra descanso e a noite para recomeçar os trabalhos. E, agora que estou prestes a ir embora de Teresina, acho mesmo que devo estimular um pouco o lado intelectual, que nunca foi esforço mas não dá pra ser lapidado com sono ou ressaca. O fato de não sair se junta ao distanciamento dos excessos que a noite traz: brights, cervas, partes íntimas lambidas… Isso vai ficar adormecido por um tempo.

 

Por estímulos particulares, resolvi fazer um cursinho básico de fotografia, nem que seja só para garantir um diplominha e uns amigos novos. E, claro, ir morar em São Paulo para, lá, ser tudo o que eu era mais o que eu sou e ainda tentando ser diferente. Porque não teria graça um esforço todo desses se não pudesse fazer tudo mesmo que a caboquice daqui limita. No mais, quero usar menos computador, ser menos egoísta, voltar a pensar nas pessoas mais do que em mim (sem me tornar os meus melhores amigos), ouvir mais, praticar URGENTEMENTE algum exercício físico e manter, o quanto for possível, a sensação que findou com 2008 e explodiu no comecinho de 2009.

 

Ano bom. Ano muito bom!

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[Por que Capitu?]

18 Dezembro, 2008 · 10 Comentários

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Porque a escolha de Elephant Gun como trilha do amor do casal foi acertada em beleza e dor, na mesma proporção. A música, que embala meus devaneios já faz um bom tempo, ganhou uma conotação ainda mais intensa, quando surgiu nas linhas desenhadas por Capitu;
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Porque Letícia Persiles não é só bonita. Ela consegue transparecer uma dissimulação que não é dissimulada, como se a personagem tivesse atitudes que poderiam ser interpretadas por pessoas de fora como obliquidade, mas que ela conseguia mostrar que eram apenas obras de alguém extremamente inteligente. Capitu é um dos personagens mais completos que já foram criados, por sua capacidade de enebriar o nosso julgamento pela simples capacidade dela em saber lidar com a vida de forma bem melhor que nós mesmos e vem daí a dificuldade de colocá-la fora do papel. Verossímel, apaixonante, ela ganhou uma interpretação impecável pela vocalista da banda Manacá, com um par de olhos tão capazes de sugar o telespectador que a obra de Machado de Assis ganhou mais um ponto, mesmo sem precisar;
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Porque César Cadardeiro tem uma inocência tão boba que seu Bentinho conseguiu ser ideal. Na sua voz fina, amedrontada, no seu descontrole emocional totalmente comandado pelos outros, pelo seu jeito de baixar a guarda diante da segurança de todos os personagens que o cercam, o ator soube dosar desconfiança com destempero, mostrando que a insegurança do autor da obra não só era um grande motor das suas angústicas, mas que seu amor era, antes de tudo, maior do que ele. Bentinho amou Capitu até a história dos subúrbios, e seu alter-ego infante soube demonstrar bem que ele nunca lidou de forma certa com isso;
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Porque Antônio Karnewale fez dos maneirismos de José Dias uma das melhores fontes de interpretação dos cinco capítulos. O agregado do ator, com seus tiques de letrado e seus pulinhos de felicidade, demonstraram o quão importante ele foi durante o livro, não só quando fez sua denúncia. Ele era também uma demonstração do caráter de Bentinho e do poder de Capitu sobre ele, quando o obrigou a falar com José Dias sobre o seminário. Karnewale soube ser teatral sem exageros, engraçado sem parecer pastelão e demonstrou respeito à obra que estava interpretando;
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Porque Luiz Fernando Carvalho dava cortes abruptos de uma parte para outra e, quem leu o livro sabe que os cortes de Machado funcionavam da mesma forma. Detalhes, aliás, formam uma das belezas maiores da série. A tatuagem copiada em Maria Fernanda Cândido, os fones de iPod nos ouvidos dos dançantes, o belíssimo quadro montado à giz de cera, o mar da ressaca que incutiu a dúvida, a dança erótica permitida apenas à Capitu e Escobar, os focos sempre escolhidos corretamente, a decisão do texto fiel, a trilha sonora pop… O diretor parece ter, finalmente, conseguido unir seus desejos teatrais e televisivos. A beleza de seus trabalhos anteriores é incontestável, mas, ao que parece, somente agora ele conseguiu dosar todos os seus talentos em uma obra de intensidade sem precedentes.
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Claro que não existiu perfeição, até porque acho que ela não deva ser meta. A interpretação exagadamente dolorosa de Melamed, por exemplo, foi algo que ainda não entendi. Mas, fica impossível eu não dar o braço à torcer. Parabéns, Machado!

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[ouvido anual]

15 Dezembro, 2008 · 12 Comentários

Não sou bom de listas, mas como esse ano não foi um grande pedaço de bosta que me deu inspiração para falar mal dele, resolvi, pelo menos, analisar o que estivesse ao meu alcance. Então, peguei o que ouvi, de acordo com o last.fm, e resolvi fazer uma geral do que foi musicalmente bom em 2008.

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À primeira vista, Gorillaz continua dominando. A banda virtual de Damon Albarn é impossível de sair do meu iPod, se mantendo como a minha preferida e mais ouvida de 2008.

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Justice supera Radiohead e Os Beatles: O eletrônico da dupla francesa tomou de conta dos meus ouvidos esse ano, de forma quase incessante. Fosse com o impecável Cross ou fazendo remixes que me fizeram até redescobrir outros sons, eles foram, disparados, a melhor novidade musical que encontrei nesses 12 meses.

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Radiohead e Beatles dispensam comentários. Se perderam uma posição foi só porque sou muito influenciável por hypes, mas nada que me faça abandoná-los. Marvin Gaye ainda embala meus sonhos de pecado e, até mesmo com músicas “de mensagem”, como em You’re the man, a que mais ouvi em 2008, ele mantém o charme.

Does it offend you, yeah? e Death from above 1979 são ligadas pelo som, apesar das qualidades inerentes à cada uma. Uma me viciou com Being bad feels pretty good, um eletro com pegada disco music e guitarras limpas e a outra através do Justice, no remix de Blood on our hands. DFA1979 já havia sido indicada há tempos pra mim, da época do primeiro cd, mas só fui mesmo perceber o quanto era bom com o remix.

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Não importa em que posição, Muse sempre vai acabar estando nessa lista. O rock filarmônico dos britânicos já é figurinha antiga, apresentada pelo velho amigo Pedro Jansen e Supermassive Black Hole é funkão carioca no melhor estilo PLAY THIS FUCK’N GUITAR! Mark Ronson perdeu muito do prazer, mas ainda é ouvido de vez em quando, mas a posição dele no ano não condiz com muito com sua situação atual no meu playlist.

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Se a lista tivesse tido mais uns dois meses para ser analisada, Arctics Monkeys tinha mais posições. Os macaquinhos do ártico ressurgiram, simples vontade que eu tava de ouvir um rock mais animado. E eles são ideais pra isso, especialmente no primeiro cd.

Amy está aí na esperança de que ela não morra. The Hives está, mas não faço idéia porquê. Novos Baianos porque merecem e Breakestra porque me faz dançar.

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Mesmo fora da lista, fica a menção honrosa à Little Joy, a melhor banda de todos os tempos da última semana e o atraso em ouvir The Gossip, banda boa do caralho com a gordona sexy Beth Ditto no comando. Também à Hotdog, do Simian Mobile Disco, mostrada pela dona Aline semana passada, e tanto a original do The Rapture quando o remix do Simian de Whoo! Alright-Yeah…Uh Huh.

E o que tocou no seu radinho esse ano?

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[I'm coming to London] – parte 2

4 Dezembro, 2008 · 5 Comentários

 

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Depois que você entra, meu velho, dái é uma maravilha. Eu já me sentia o cara, andando pelos corredores do aeroporto até dar de cara com aquela pessoa toda vermelha: Luana, com seu melhor sorriso, toda estilosa com roupas de frio, me esperava. Aquele abraço de saudade imensa, aquele “miguxo” que só ela sabe dizer e nos tacamos para o ônibus: o aeroporto era em Londres por assim dizer, mas chegar lá ainda levaria uma hora.

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Nesse meio tempo, claro, botar papo em dias. A bichinha tava mal informada, não sabia quem comia quem, quem acabou com quem, quem era a nova bicha, quem era a nova sapata, quem era o novo pirigueteiro… Apesar de eu também não ser um primor de entendimento no que acontece no mundo de quem lê Caras – Teresina, pelo menos dos nossos mais próximos tinha as informações e ela, chocada, absorvia tudo.

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Ela, também, tinha muito o que dizer. Por ser um blog público, vou manter a integridade da minha amiga à salvo. Apenas digo que ela está aproveitando muito bem sua temporada nas terras da rainha. Chegando em casa, um pedido: mais de 24 horas sem banho, ainda de ressaca por ter bebido até os tubos na despedida da Alemanha e com sono, somente um bom banho para me fazer enxergar bem a cidade.

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O chuveiro faz um barulho horrível”, me alerta Luana. “Não tem problema”, digo. “Não, você não tá entendendo: é HORRÍVEL”. Houston? Será que era mesmo preciso tanto alarde por causa de um chuveiro? Bom… Era… O chuveiro da Luana, que nunca foi consertado porque eles nunca chamaram o landlord para dar a analisada, é meio que uma mini turbina de avião. O banho é uma delícia, mas é bom preparar os ouvidos. E, falando em banho, lembro do apartamento.

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O lugar é ótimo. Dois quartos legais, um dividido entre ela e o Edu, um dos roommates, e o outro entre o Daniel, irmão dela, e o Carlos, um colombiano que ninguém gosta e, por ela ter me avisado isso, fiz logo a vibe exclusão social. Um corredor inicial tem os dois quartos do lado esquerdo e dois banheiros do lado direito. Dois banheiros porque um é só com o local do banho e outro para fazer as demais coisas que você faz. A sala de jantar é conjugada com a de estar e um janelão dá uma vista fudida de Londres, com direito à London Bridge ao fundo.

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Mas, tem bem mais coisa para se ver além do apartamento, né? Fomos então fazer a caminhada básica de turismo: abadia de Westminster, o parlamento com o Big Ben, a London Eye, uma passada rápida na Nacional Galery, além de um mundaréu de gente, em todo canto, de todo jeito, numa mistura de cores, roupas, cabelos, estilos e cheiros que te dá certeza de o mundo é tão grande e tão pequeno que fica difícil a gente não acabar dando um jeito de se sentir em casa.

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Deixando a frescura de lado, fomos então para o mais interessante ponto turístico de Londres: fácil de achar, com várias opções, o turismo de pub é uma das melhores formas de se divertir naquele tempo cinzento. No Young’s, um pub à beira do Tâmisa, fui introduzido à sidra, uma espécie de cerveja azeda que uma porrada de gente bebe por lá e que eu só achei azeda mesmo.

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Fiquei mesmo com a Staropramer, que vinha em um copo gigante e era leva, mas gostosa. E, claro, aprender a pedir um “pint”, com cara de quem sabe inglês mermo assim, valendo! Daí começamos o papo, eu, a Luana e o Daniel, irmão dela que já tinha ouvido falar muito e que era bem mais legal do que as pessoas diziam.

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No primeiro dia nós ficamos… BÊBADOS! Voltando para casa, com a Luana querendo se jogar do Tâmisa, com fotos comprometedoras logicamente postadas no orkut, além de sexo oral em copos e saleiros (piada interna). Perdemos o show do Justice, mas nem nos importamos. Queria mesmo era cair na cama, que o primeiro dia foi trash.

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Acordar para o segundo dia também! Domingão com sol, aquele gosto de guarda-chuva na boca, conheço o Edu. Ele é daqui das Teresas e era professor de inglês na capital e foi quem nos guiou no segundo dia. Adivinha pra onde? PUBS! Primeiro, conhecer o que ele trabalha, chamado Zigfrid von Underbelly. O local é lindo, com uma meia luz estranhamente bêbada que parece ser uma necessidade para que um local ganhe a alcunha de pub, com uma decoração tão maluca, cheia de referências e garçons de uma pá de lugares do mundo.

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De lá, fomos para um vizinho, que não me lembro o nome, mas que foi nele em que bebemos de verdade. Eles, mais finos, entornaram vinho. Aliás, o que o primeiro mundo faz com as pessoas, não é mesmo? Eles não pedem vinho tinto ou branco. Eles pedem pela uva, safra… Sabe quando a gente pergunta pro garçom se a mais gelada é a Bhrama ou a Skol? Eles perguntam se tem vinhos feitos com uma uva de nome francês. Tipo: tô lascado, mas tô curtindo? Luana sempre foi fina, mas agora ela está no topo.

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Nesse dia foi quando fizemos as drunks-calls mais impressionantes ever. A Luana, assumindo seu lado Singate, encasquetou de revelar para todos os brasileiros amigos que ela está em Londres jogando WAR: primeiro, conquistou os 5 continentes. Agora, seu objetivo é o mundo. Traduzindo para os leigos: cada país é um rapazola e cada conquista é, bem, vocês sabem… A gente ria que se acabava, ligando para Pedro, Clarissa, Ítalo e, claro, contando todas as peripécias internacionais da Luana. E, claro, aumentávamos as histórias para que elas ficassem mais interessantes.

continua…

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[dom de capitu]

2 Dezembro, 2008 · 12 Comentários

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Lembro de um professor meu, do ensino médio, que odiava saber que a maior discussão suscitada por Dom Casmurro era se Capitu havia traído ou não Bentinho. Ele era apaixonado pelo autor e dizia que a obra era tão mais além daquela picuinha que dava raiva saber que muitos perdiam a atenção do que realmente ela tinha a oferecer.

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Dom Casmurro se tornou o melhor livro que eu já li na vida desde a primeira vez que o tive em mãos. Sempre fui fascinado por autores que tinham capacidade de escrever em primeira pessoa. Quem já se arriscou a contar histórias sabe o quanto é fácil se perder em meio ao bando de personagens que a gente coloca nelas. A gente é o escritor, quem inventa, então temos o poder sobre tudo o que se passa, certo?

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Mas, quando a gente escreve em primeira pessoa, o único pensamento que conhecemos é o nosso. E se alguém consegue controlar o desejo enorme de mandar em seus personagens e se deixa levar pelas próprias criações (sem aproveitar-se da vantagem de ser onisciente, pelo menos naquele momento) é porque tem talento de sobra para contar uma boa história.

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Machado de Assis era mestre em conter os sentimentos humanos em papel, contando, mesmo em poucas letras, como nos seus contos, o quanto que pequenos momentos conseguem canalizar todos os nossos medos e alegrias. Como, por exemplo, quando Bentinho descobre, pela boca de José Dias, que ele era apaixonado por Capitu, ainda no início do livro.

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Para mim, primeira pessoa é algo que só serve mesmo na literatura. Alguém ainda pode ir á um monólogo, mas ele não permite outros personagens e não imagino que graça teria um filme em que somente um personagem pudesse expor o que sente. Mas em um livro essa possibilidade existe. É ainda mais fácil se identificar com os personagens, mesmo que eles não estejam narrando a história, porque seus caracteres são montados aos olhos de alguém, da mesma foram que nós fazemos.

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Mas, por que diabos essa coisa toda? Simplesmente porque, apesar da beleza estupenda, não vejo como a microssérie Capitu, da Globo, possa ser boa. Será bonita, será interessante, mas eu não quero saber o que Capitu pensava. Me contento com Bentinho, com sua capacidade extrema de lembrar de detalhes, mesmo quando ele teima em reclamar da memória. Bentinho me é suficiente, porque Dom Casmurro não é feito somente da sua dúvida quanto à sua esposa.

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É feito da capacidade de Machado em saber falar sobre o que a gente sente e, aos olhos de Bentinho, isso é ideal. Mas, vou assistir, claro. Posso queimar minha língua. Mas, acho que, mesmo que você só queira saber dessa tal traição-wannabe, melhor ler a obra. Sempre!

Teaser:

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[grande dádiva]

25 Novembro, 2008 · 8 Comentários

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A despeito dos meus 23 gigabytes de música guardados no computador, não me sinto seguro pra ficar resenhando os mais novos lançamentos do mundo indie-music-meu-cu. Mas, como esse blog é meu e os comentários são moderados (ou seja, ninguém metido a cool vai poder ficar demonstrando tesão contido por mim em comentários de baixo calão) e, principalmente depois de ter ouvido a mesma música 17 vezes no caminho de casa pro trabalho, tinha que falar de Little Joy.

 

Acho que todos que passam por aí são fuçadores de novidades internéticas e, pelo menos entre os meus amigos blogueiros que são amigos reais, todos já devem estar com o MP434872348728347 tocando as musiquinhas do ex-hermano Rodrigo Amarante e do ex-stroke Fabrizio Moretti. Depois de um encontro em um festival da vida, eles se juntaram e resolveram fazer algo melhor que qualquer outro trabalho de um ex-stroke (e estamos falando de bons trabalhos, como os discos do Albert Hammond, Jr.) e espantar a sonolência do cd do Marcelo Camelo (que não aguentei ouvir três músicas).

 

O nome Little Joy (um bar que ficava próximo ao local em que eles tocaram o processo produtivo) se fixa perfeitamente às melodias do grupo. Quem conhece as duas bandas consegue perceber como as influências de encaixam mas, ao mesmo tempo, são diferentes do que eles haviam feito. Sabe um diferente que agrada, mas não te deixa esquecer de onde vem? No caso de Moretti, especialmente, as baterias (mesmo que sempre bem audíveis) são mais contidas e ele pode passear em seu lado multi-instrumentista e até mesmo cantar.

 

Amarante continua com sua voz de menino lesado, que parece ter acabado de entrar na universidade, mas surge mais tranquilo do que quando cantava com o Los Hermanos. A idéia, realmente, é que o trabalho paralelo, por mais sério que tenha sido levado, foi feito com bem mais diversão do que “4” e mesmo que “First Impressions of the Earth”. Ainda não ouvi as músicas de forma a decorar letras e, por azar ou sorte, já me viciei em uma, o que me dá o maior trabalho porque sempre quero escutá-la até cansar.

 

No one’s better sake”, a tal da repetida 17 vezes, me deixa feliz, me deixa calmo, me deixa apaixonado. Ela parece ter sido feita especialmente para se ouvir no caminho da praia, com os vidros abertos, chinelão e aquele desejo de que não se acabe. A dádiva, aqui, é grande. E a esperança que ela seja levada para reviver as bandas dos integrantes da Little Joy maior ainda.

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No one’s better sake – Ao vivo

→ 8 ComentáriosCategorias: crítica · música

[I'm coming to London!] – parte 1

19 Novembro, 2008 · 7 Comentários

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Se há uma lição que eu tirei da minha viagem à Londres é a seguinte: não invente de ir até lá com idéia de ficar vendo museuzinho e London Bridge, fazendo carinha de impressionado como só um bom turista caboco pode fazer. Londres é a cidade que nasceu para divertir e, se tem algo na vida que é bom, meu amigo, é diversão.

Minha ida à Londres ocorreu por uma sucessão de acontecimentos que demonstraram que meu orifício anal estava virado pra lua desde que soube da viagem pra Alemanha. Primeiro: não conheço trabalho algum que, depois de liberar seu funcionário por três semanas garante mais uma, de graça, simplesmente pelo prazer de vê-lo alegre e saltitante em uma capital da Europa.

Ainda mais quando o seu trabalho é em um jornal diário, que tem poucos repórteres e que você é um deles, em três editorias diferentes. Mas, quando eu brinquei com minha chefe (maravilhosa, linda, que amo de paixão) sobre a possibilidade de visitar minha amiga Luana na Inglaterra, ela soltou: “Vai, menino! Tá louco? Aproveita a chance!”. Sorte 1 já estava no papo!

A Sorte 2 veio já em Fortaleza, quando estava prestes a embarcar pra Lisboa. A mudança de data pra minha volta só foi possível com uma multa, que, por eu ter demorado, ficou em US$ 236. Na época, a crise econômica já estava truando, daí que o dólar estava em R$ 2,20. Ou seja, tive que dar jeito de achar mais de R$ 500, o que, na hora, eu via como bem pouco, por uma semana em Londres.

(O fato de eu não ter a mínima idéia de como iria pagar minhas contas quando voltasse ao Brasil era sem importância, não é mesmo?). No guichê da TAP, uma demora danada pra conseguirem mudar a data. Já com receio de ter que pagar mais, pergunto o que está acontecendo. “Acho que houve um erro e o senhor só precisa pagar US$ 120”. E, em uma frase, lá estava eu com um bando de real sobrando. Booooooooom!

As três semanas na Alemanha foram aquela experiência divina e maravilhosa que falei pra todos que conversaram comigo. País lindo, povo educado, bonito, comida boa, todo um conjunto de maravilhas impressionantes que somente um grande clichê consegue abarcar.

Daí, dia 25 de outubro, depois de dormir apenas 3 horas e todas elas bêbado, peguei o S-Bahn em direção à Schoenfeld, um dos três aeroportos de Berlim e me deparo com aquele belo avião da Ryanair. Digamos que voar nunca esteve entre os meus medos. Apesar de não ser chegado nos pousos em Congonhas (ainda mais depois do acidente, que o povo tende a ficar rezando terços e louvando à deus na hora em que o avião toca o solo), sempre fui confiante na invenção brasileira.

Mas, era Ryanair. Ela é a empresa pra quem quer viajar barato e isso significa o mínimo de coisas possíveis que encareçam a passagem. Mínino significa: você senta onde quiser, não tem lanche durante o vôo e as aeromoças vestem roupas puídas, mostrando como usar os itens de segurança com modelos que só não estão mais velhos que o avião. Meu medo era de uma galinha pular do compartimento de malas de mão ou um porco passar do meu lado. E, como no Brasil, todo mundo gritou de alegria quando ele pousou em Londres.

E né que era Londres mesmo? Uma placa bem grande dizia “Welcome to London” e eu tava empolgado feito pinto no lixo, até que uma pedra de gelo estacionou no meu estômago: IMIGRAÇÃO. Se teve algo que me deu medo a viagem inteira foi de ser barrado lá. Todo aquele lance deles quererem exigir visto, a sombra do Jean Charles, minha cara de quem tinha passado o dia na rua, a noite bebendo e ainda não tinha tomado banho… Preenchi o papelzinho com minhas informações e segui com o meu melhor inglês.

Lá, o belo do guarda nem olhava pra mim. Perguntou o que eu iria fazer em Londres e falei que visitaria uma amiga. Mostrei a documentação do Instituto Goethe, que provava que estava participando do seminário na Alemanha e ele: “Aqui diz que o seminário acabava hoje. Por que você não voltou ao Brasil?”.

Falei sobre ter ganhado mais uma semana na Europa (thanks, chefinha) e que havia escolhido Londres pra ficar. “Por que Londres e não Paris?”. Respirei fundo e disse, tranqüilo: “Por causa dessa minha amiga”. Pam! Ele carimba o passaporte e lá tô eu dentro de Londres, oficialmente.

continua…

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[e se eu fosse você?]

13 Novembro, 2008 · 7 Comentários

O senhor Jader me jogou um meme estranho: se eu pudesse escolher, quem seria como top do cinema, da música e da literatura? Eu, com as minhas infindáveis discussões sobre escolhes precisas, fiz a lista tripla (que exclui gente que você seria de qualquer jeito se pudesse, como o Saramago, Marquéz, Beatles ou Marlon Brando), que tá aí:

 

Literatura:

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A Luana sempre me diz que “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” é tudo que ela queria ter escrito na vida. E o fato de Jonathan Safran Foer ter colocado isso no papel não a deixa triste, ao contrário: a faz sentir-se bem em saber que alguém conseguiu por em letras exatamente o que ela sente.

 

Eu quase não consigo ter coisas preferidas e acho que minha vida literária ainda tem muito chão, mas não duvido em pensar que se eu pudesse ser um escritor, seria o Safran Foer. O cara escreveu dois livros e confesso que o primeiro, realmente, ficou pra teste, já que as duas tramas seguem um modelo parecido: várias narrativas que não tem ligação temporal, mas que fazem total sentido quando colocadas juntas. Mas foi no seu segundo livro que ele conseguiu fazer com que eu chorasse de verdade com uma história.

 

A saga do pequeno Oskar descobrindo a chave de si mesmo é tão intensa, mesmo que muito inverossímil, com suas explosões de falatório, sua inteligência baratinada e sua completa falta de controle emocional (à despeito de saber até mesmo o que é um googol), que fica impossível não desejar sua felicidade. Mas Foer não é autor de entendimento direto, principalmente porque ele não usa somente palavras. Ele se vale de fotos, desenhos, até mesmo figuras montadas com as palavras para dizer o que quer.

 

Daí, pensa comigo: um cara que dialoga com várias formas de comunicação com facilidade, que consegue expressar sentimentos infantis sem parecer piegas, usa a catarse do sofrimento sem modismos de auto ajuda e escreveu o melhor livro da vida com 30 anos não é alguém que todo mundo ia querer ser?

 

Música:

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Damon Albarn não é só o cara por trás da banda que eu mais gosto, o Gorillaz. Quem passeia um tanto pela cena (blargh) musical vê que o cara mantém relação com todos os sons possíveis, desde rappers maloqueiros da década de 1980 até mesmo cantores ressurgidos na ilha de Cuba.

 

Eu nunca fui muito fã do Blur, acabei indo na onda Oasis e parando por lá, mas desde que ele resolveu brincar com seu talento para montar o Gorillaz que comecei a ver que Albarn é bem mais que os gritinhos de Song 2. Falando do Gorillaz, acho que a banda é minha preferida justamente por ser um turbilhão de referências musicais.

 

Ska, dub, hip hop, reggae, rock, violinos, guitarras, pianos, violoncelos… Tudo em quanto pode ser ouvido no disco deles. O fato de ser uma banda virtual ganha o contorno interessante só no primeiro momento: o bom mesmo é o som! Albarn viaja pra diversos cantos do planeta (ser filho de gente rica e ter ficado mais rico ainda com a música super ajuda) para tentar ouvir mais coisas e não tem medo de misturar. E, o talento dele não fica restrito à música. Ele é mestre em escolher bem quem participa das gravações. Com o Gorillaz já botou Ibrahim Ferrer, Dennis Hopper, Ike Turner e mais um monte de gente tudo junto, cada uma dando a sua contribuição.

 

E, mais recente, se juntou ao baixista do The Clash, Paul Simonon, e fez o The Good, The Bad and The Queen, com um som super distante da banda cartunesca, mas outro ponto pra carreira dele. Ele pode não ser um deus das guitarras ou o monstro sagrado do funk carioca, mas ele sabe muito bem como fazer que uma banda funcione. E isso, meu caro, é algo de quem entende de pop, o que, convenhamos, é uma arte!

Cinema:

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Hum… a gente tem que querer ser alguém do mesmo sexo nessa brincadeira? Porque, sério mesmo, se eu fosse ser alguém do cinema, queria ser a Uma Thurman. Começando pelo fato mais importante para mim: a gata é musa do Tarantino. Eu, realmente, queria ter um diretor freak e talentoso como ele sempre me esperando pro próximo papel.

 

O cara aguardou uma gestação inteira pra dar continuidade à Kill Bill. Por sinal, a personagem de Uma foi criação dela, em parceria com Quentin. Não acho ela bonita, mas é impossível não achá-la sexy. O olhar tem um quê de vagaba-vintage e a voz sabe dar ordem e tesão. Sem falar que acho mesmo ela talentosa. Alguém conseguir passar veracidade em uma luta de duas ninjas com música latina é prova, fio!

 

Tirando sua power drag Hera Venenosa, em Batman e Robin (mandem queimar as cópias desse filme, por favor!), a gata é o tipo de atriz que pode não entrar no top 10 de melhores de todos os tempos, mas vai ficar na cabeça de todo mundo enquanto Mia Wallace fizer de Pulp Fiction um dos melhores filmes de todos os tempos (rá, heresia!!).

 

Passo agora a bola pra Lucy, Maria e Line.

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[mundo real]

10 Novembro, 2008 · 6 Comentários

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A primeira prova que tive de que estava mesmo voltando ao Brasil foi ver, no caminho entre o hotel e o aeroporto de Lisboa, um cartaz dum show da Cláudia Leite. Ali, a realidade subitamente reapareceu e senti que o fim iminente se aproximava (música trágica, por favor?). Tá, tá, não teve vibe negativa e ainda estou feliz demais pra pensar que se acabou tudo, mas tinha que ser um pouco dramático no começo, certo? Só pra não perder o costume.

Não sei se é de conhecimento de todos que, por vezes, passam por esse blog (seja meus queridos leitores já conhecidos ou aqueles que procuram dicas pra se montar um lual, como dizem as tags do WordPress), mas passei o mês de outubro na Europa. Mais especificamente, três semanas na Alemanha e uma em Londres. Pra inteirar, fui até o país germânico à convite do governo deles, em um programa destinado à jornalistas brasileiros.

Daí pense comigo: sempre falei pra todo mundo que me cerca em mesas de bar que a minha maior vontade era fazer uma viagem pra Europa. Depois de ter um irmão, era essa minha meta de vida, mas, ironia, eu nunca havia feito nada pra que ela fosse realizada. Então, num belo dia de trabalho, essa chance caiu no meu colo e passei três semanas, com tudo pago (hospedagem, alimentação, transporte, entradas para todos os eventos e ainda 75 euros semanais), fazendo o que mais tinha vontade de fazer na vida.

Não vou fazer aqui roteiro de viagem, nem mesmo dar dicas de onde encontrar o melhor salsichão da Alemanha (faça sua piada de mau gosto agora), até porque o blog é meu e não tenho essa vibe de ficar direcionando a viagem dos outros. Nem mesmo sei o porquê de escrever sobre isso, porque acho que, quando tô empolgado demais, eu sempre sou clichê, mas acho que serve como catarse. Sem falar que pode me servir para ter dicas de novas metas, já que não tenho vontade de comprar um carro nem montar um puxadinho quarto-sala na Vila Irmã Dulce.

Mas, tentando ser dinâmico, já que existem trocentas histórias pra se contar (até mesmo o ugly naked guy, de Friends, foi visto durante a viagem, lá em Dresden), vamos ser bem francos: a Alemanha é um país que todo mundo merecia conhecer. Tá, isso vale pra todo canto da Europa, mas tenho de falar do que conheço. Começa que Berlim é uma cidade barata e isso já ajuda quem curte a vibe mochilão. Eu, com toda a minha pretensão de ser fã da história da II Guerra Mundial, me sentia extasiado o tempo inteiro.

Lá o livro de história bate na sua cara o tempo todo. Tudo na cidade vira memorial, como se eles tivessem a consciência que precisam ser lembrados da participação do povo deles em tanto massacre. E, mesmo parecendo condescendente, mostra também a nossa culpa como seres humanos, já que o fim da guerra não trouxe a época de paz de prosperidade que a gente espera depois da tempestade, só mostrou que a gente pode ser até pior.

Mas, não tem só um bando de relíquias funestas não, ao contrário. A capital é um centro de cultura reverenciado em toda a Europa e o mês de novembro ia ser lotado de shows legais (¬¬). Um fato resume tudo de vida cultural que tive na Alemanha: nossa ida até a Filarmônica de Berlim, a melhor do mundo. A acústica do local, a recepção das pessoas, a perfeição do som… Se eu parar um pouquinho pra lembrar, me arrepio da mesmo forma de novo.

Tivemos ainda uma semana de viagens pelo país e, OMFG, conhecemos Dresden. A cidade mais arrasada durante a II Guerra está completamente reformada, o que causou uma certa dor nas ideologias esquerdistas ultrapassadas de alguns dos participantes da viagem (meu cu!). Mas, para lembrar o comentário de uma das meninas do grupo “Dresden é a cidade que eu moraria”.

Junto à isso, tiveram as experiências mais direcionadas, como os restaurantes de várias nacionalidades (turco, indiano, vietnamita, italiano, alemão), o bairro turco mais famoso de Berlim, onde achei uma loja de quadrinhos como nunca tinha visto na vida e o bando de postais e flyers que peguei em tudo quanto era bar. Nem sei… é tanta coisa, um sentimento tão estranho, de sorte, misturado com um receio doido de não saber o que fazer daqui pra frente.

Já imaginou você realizar o sonho da sua vida (nhá!) aos 23 anos? Porra, velho, isso desestabiliza a pessoa. Mas, pelo menos, isso me deu mais certeza que tenho de ir embora de Teresina. Meio do ano que vem, me mandar pra Sampa, me tornar o Joey, já que meu roommate Chandler Jansen está me esperando. Ainda teve Londres, mas ela merece um texto à parte… No mais, welcome back, realidade!


→ 6 ComentáriosCategorias: amor · saudade