Às vezes fico na expectativa de que meus dias possam ser mais interessantes para que eles pudessem ser relatados. Sempre tive vontade de ter um diário pessoal, mas não sei muito bem ser sincero comigo mesmo.
Parece que quando as coisas partem da minha cabeça para o papel elas já vem carregadas de um certo receio de alguém possa lê-las e, assim sendo, possa me descobrir. Porque, tentando explicar as coisas direitinho, eu sou muito sincero quando escrevo.
Só que a minha sinceridade é bem lotada de entrelinhas, de viagens não tão viagens, como uma forma de me proteger da minha própria capacidade de falar sobre mim. E, quando penso em escrever um diário, fico me perguntando o quanto eu poderia ser extremamente sem rodeios ao ponto de não ter medo de que ela venha a ser achado.
Mas, daí também vem uma certa vaidade de poder ser lido. A idéia de identificação, até mesmo da repulsa, mas nunca da indiferença com o que eu escrevo. O Pedro já me disse que eu deveria ser pago para escrever sobre mim mesmo, tamanha intenção que tenho de me mostrar.
Sabe aquela teoria que faziam sobre serial-killers, de que eles sonhavam em ser pegos? Se pra eles isso é mentira, pra mim (que não tenho nenhuma relação com o sr. Lecter ou seus amigos de hobby) cai diretinho. Eu tenho medo de ser completamente sincero, por achar que sou verdadeiro demais na exposição dos meus defeitos.
Não tenho mais do que ninguém, mas também não os nego. Mas existem certos aspectos, que nem se enquadram na definição de defeito, que me fazem bloquear minha total sinceridade. Minha mãe diz que sou sincero demais com as pessoas, confio demais nelas e não quero enxergar quando me enganam, e ela está certa.
Mas, ao mesmo tempo, sou de uma carência atroz, que me faz exigir demais das pessoas quando elas tem um pouco que seja de amor por mim. É meio paradoxal, mas saber que você me ama me faz ter uma certa necessidade de que isso seja provado sempre, simplesmente porque sou carente demais pra acreditar que isso possa ser uma verdade completamente despida de interesses.
Já fiz muita merda por ter tanto medo de perder quem eu amo, inclusive coisas que dariam motivos suficiente pra que elas me deixassem mesmo, assim, facinho. Seja duvidando do que elas sentem, seja implicando até o ponto deles quererem me bater (bêbado chato, eu? Imagina) e até mesmo ficando longe do nada só porque eu… sei lá o porquê!
Daí, sendo eu essa pessoa tão inconstante e medrosa (mas também posso ser legal, viu pessoas que não me conhecem e só lêem o blog. É porque aqui me detono mesmo), fico guardando certos aspectos que, na minha opinião, possam me afastar ainda mais dessas pessoas.
Esse ano eu resolvi ser menos egoísta e isso consiste em não tentar, a todo custo, pensar que não dependo das pessoas, idéia de jerico que eu tentava incutir só para depender menos. Não nasci para ser daqueles personagens de filme que são super independentes e não sorriem porque não gostaram da piada.
Eu sou daqueles que adoram mesmo receber uma mensagem de pessoas que estão longe (né, Sanmya?), que vibram com uma troca de e-mails furtiva para falar do dinheiro que o chefe está devendo e até mesmo acha legal ficar falando da vaca maldita que tem um cheiro impregnante.
E, se ser completamente sincero é uma vantagem, não sei. Acho que ninguém o é, por isso vou tentar perder todo o receio de ter parado nessa busca. Até porque, caso vocês me conheçam por completo, qual será a graça de a gente continuar junto?

















