[disfarce seu desprezo]

[sinceridade disfarçada]

9 Janeiro, 2009 · 7 Comentários

Às vezes fico na expectativa de que meus dias possam ser mais interessantes para que eles pudessem ser relatados. Sempre tive vontade de ter um diário pessoal, mas não sei muito bem ser sincero comigo mesmo.

Parece que quando as coisas partem da minha cabeça para o papel elas já vem carregadas de um certo receio de alguém possa lê-las e, assim sendo, possa me descobrir. Porque, tentando explicar as coisas direitinho, eu sou muito sincero quando escrevo.

Só que a minha sinceridade é bem lotada de entrelinhas, de viagens não tão viagens, como uma forma de me proteger da minha própria capacidade de falar sobre mim. E, quando penso em escrever um diário, fico me perguntando o quanto eu poderia ser extremamente sem rodeios ao ponto de não ter medo de que ela venha a ser achado.

Mas, daí também vem uma certa vaidade de poder ser lido. A idéia de identificação, até mesmo da repulsa, mas nunca da indiferença com o que eu escrevo. O Pedro já me disse que eu deveria ser pago para escrever sobre mim mesmo, tamanha intenção que tenho de me mostrar.

Sabe aquela teoria que faziam sobre serial-killers, de que eles sonhavam em ser pegos? Se pra eles isso é mentira, pra mim (que não tenho nenhuma relação com o sr. Lecter ou seus amigos de hobby) cai diretinho. Eu tenho medo de ser completamente sincero, por achar que sou verdadeiro demais na exposição dos meus defeitos.

Não tenho mais do que ninguém, mas também não os nego. Mas existem certos aspectos, que nem se enquadram na definição de defeito, que me fazem bloquear minha total sinceridade. Minha mãe diz que sou sincero demais com as pessoas, confio demais nelas e não quero enxergar quando me enganam, e ela está certa.

Mas, ao mesmo tempo, sou de uma carência atroz, que me faz exigir demais das pessoas quando elas tem um pouco que seja de amor por mim. É meio paradoxal, mas saber que você me ama me faz ter uma certa necessidade de que isso seja provado sempre, simplesmente porque sou carente demais pra acreditar que isso possa ser uma verdade completamente despida de interesses.

Já fiz muita merda por ter tanto medo de perder quem eu amo, inclusive coisas que dariam motivos suficiente pra que elas me deixassem mesmo, assim, facinho. Seja duvidando do que elas sentem, seja implicando até o ponto deles quererem me bater (bêbado chato, eu? Imagina) e até mesmo ficando longe do nada só porque eu… sei lá o porquê!

Daí, sendo eu essa pessoa tão inconstante e medrosa (mas também posso ser legal, viu pessoas que não me conhecem e só lêem o blog. É porque aqui me detono mesmo), fico guardando certos aspectos que, na minha opinião, possam me afastar ainda mais dessas pessoas.

Esse ano eu resolvi ser menos egoísta e isso consiste em não tentar, a todo custo, pensar que não dependo das pessoas, idéia de jerico que eu tentava incutir só para depender menos. Não nasci para ser daqueles personagens de filme que são super independentes e não sorriem porque não gostaram da piada.

Eu sou daqueles que adoram mesmo receber uma mensagem de pessoas que estão longe (né, Sanmya?), que vibram com uma troca de e-mails furtiva para falar do dinheiro que o chefe está devendo e até mesmo acha legal ficar falando da vaca maldita que tem um cheiro impregnante.

E, se ser completamente sincero é uma vantagem, não sei. Acho que ninguém o é, por isso vou tentar perder todo o receio de ter parado nessa busca. Até porque, caso vocês me conheçam por completo, qual será a graça de a gente continuar junto?

Categorias: amor · egoísmo

7 respostas Até agora ↓

  • Natália // 9 Janeiro, 2009 às 8:54 pm | Responder

    Adoro conhecer por completo, mas isso não quer dizer que eu não queira ficar junto. Quanto mais conheço, mais amo as pessoas, mesmo que elas sejam cheionhas de defeitos e se tornem antipáticas num lapso temporal qualquer (ou que eu as torne antipáticas para mim). E amo mais só pelo fato daquela pessoa se confiar a mim e confiar em mim. Pra mim, maior prova de amor não existe. Confiança!

  • sanmya // 10 Janeiro, 2009 às 6:15 pm | Responder

    é, sim amor =]
    acho que tô tentando ser exatamente o oposto do que tu tá se propondo,se tu foge do egoímo, eu tô abraçando ele. E acho que segue bem minha terapia do desapego,até é claro, que eu mude de idéia, o que nao vai custar acontecer. Afinal Sanmya é Sanmya.
    Hoje eu tava deitada e pensando se é esa a hora de chorar por tudo que somos ou de morremos de rir por aquilo que conseguimos salvar de bom. E é claro que eu prefiro sorrir… =]
    amo tu

    amo tu
    =]

  • Séfora // 11 Janeiro, 2009 às 11:50 am | Responder

    Cara, perfeito. Há muito de mim nas suas palavras. Mas vc descreveu tudo perfeitamente de modo que talvez eu não conseguisse (ou até conseguiria, mas não publicaria heheeh). Adoro seu blog.

  • Caio // 11 Janeiro, 2009 às 7:53 pm | Responder

    eu escrevo diário, desde que tenho 12 anos…
    a cada ano percebo que eu sou mais idiota, talvez a finalidade de eu ainda continuar escrevendo seja só a insistencia e a esperança de que um dia eu vou ler e vou ver que diminui um pouco o nivel de idiotice.

  • Fábio Lima // 12 Janeiro, 2009 às 1:27 pm | Responder

    o tempo é senhor. releia esse post em cinco anos, ou menos. eu escrevi tanta coisa que até deletei meus posts de 2001 pra cá aos gritos de “porra, eu escrevi isso?”

    -=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-+=

    eu demonstro tanto amor pelas pessoas, e torço por um retorno disso. só que me retornaram tanto nas últimas semanas que cansei. vou curtir um pouco de misantropia. não sei por qual razão, mas eu adoro sentir saudades de vez em quando… talvez uma forma de provar pra mim mesmo o quanto amo todos e não consigo ficar longe dos meus amigos.

  • Renata // 12 Janeiro, 2009 às 8:51 pm | Responder

    Eu não comento em blogs, não que ache besteira ou coisa assim, mas simplesmente pelo mesmo motivo que não tenho um.(A luciana há uns 10 anos atrás fez uma poema 246647883 de vezes melhor que o meu, e já cm a gnt tinha a msm idade e ela era tão melhor achei que devia me tocar e parar…). Enfim, isso tudo só pra dizer que eu tenho que falar que “Há muito de mim nas suas palavras”, me vi demais… e vendo isso tô pensando em tentar escrever sobre mim pra mim msm e desmarcar a minha consulta com a psicológa amanha, porque tvz eu não seja tão louca assim. Apesar de algumas coisas minhas me deixarem louca, acho que eu ia odiar se ela me descobrisse antes de mim.
    Acho que não eh bem assim que se comenta em um blog, mas…

  • Ermac // 23 Janeiro, 2009 às 8:13 am | Responder

    Excelente texto. Assim como os outros que comentaram também vi muito de mim em suas palavras.
    Querer que o sentimento dos outros por mim seja constantemente provado é um dos meus maiores problemas, e qualquer coisa me faz pensar que não gostam de mim. Muito frequentemente me afasto dos amigos, ou tenho muito pouco contato. Não que eu queira sentir saudades deles, mas espero que venham falar comigo, que me procurem. Mas isso não acontece muito.
    Devido ao fato de não me procurarem muito eu acabo também não procurando, as vezes agindo com indiferença caso o contato aconteça depois de eu estar devidamente revoltado.
    O saldo disso é que eu estou na maior parte do tempo afastado dos amigos. E também que eu ajo como o “personagem que não ri porque não gostou da piada”.

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