[disfarce seu desprezo]

[e se eu fosse você?]

13 novembro, 2008 · 7 Comentários

O senhor Jader me jogou um meme estranho: se eu pudesse escolher, quem seria como top do cinema, da música e da literatura? Eu, com as minhas infindáveis discussões sobre escolhes precisas, fiz a lista tripla (que exclui gente que você seria de qualquer jeito se pudesse, como o Saramago, Marquéz, Beatles ou Marlon Brando), que tá aí:

 

Literatura:

foer

A Luana sempre me diz que “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” é tudo que ela queria ter escrito na vida. E o fato de Jonathan Safran Foer ter colocado isso no papel não a deixa triste, ao contrário: a faz sentir-se bem em saber que alguém conseguiu por em letras exatamente o que ela sente.

 

Eu quase não consigo ter coisas preferidas e acho que minha vida literária ainda tem muito chão, mas não duvido em pensar que se eu pudesse ser um escritor, seria o Safran Foer. O cara escreveu dois livros e confesso que o primeiro, realmente, ficou pra teste, já que as duas tramas seguem um modelo parecido: várias narrativas que não tem ligação temporal, mas que fazem total sentido quando colocadas juntas. Mas foi no seu segundo livro que ele conseguiu fazer com que eu chorasse de verdade com uma história.

 

A saga do pequeno Oskar descobrindo a chave de si mesmo é tão intensa, mesmo que muito inverossímil, com suas explosões de falatório, sua inteligência baratinada e sua completa falta de controle emocional (à despeito de saber até mesmo o que é um googol), que fica impossível não desejar sua felicidade. Mas Foer não é autor de entendimento direto, principalmente porque ele não usa somente palavras. Ele se vale de fotos, desenhos, até mesmo figuras montadas com as palavras para dizer o que quer.

 

Daí, pensa comigo: um cara que dialoga com várias formas de comunicação com facilidade, que consegue expressar sentimentos infantis sem parecer piegas, usa a catarse do sofrimento sem modismos de auto ajuda e escreveu o melhor livro da vida com 30 anos não é alguém que todo mundo ia querer ser?

 

Música:

damon

 

Damon Albarn não é só o cara por trás da banda que eu mais gosto, o Gorillaz. Quem passeia um tanto pela cena (blargh) musical vê que o cara mantém relação com todos os sons possíveis, desde rappers maloqueiros da década de 1980 até mesmo cantores ressurgidos na ilha de Cuba.

 

Eu nunca fui muito fã do Blur, acabei indo na onda Oasis e parando por lá, mas desde que ele resolveu brincar com seu talento para montar o Gorillaz que comecei a ver que Albarn é bem mais que os gritinhos de Song 2. Falando do Gorillaz, acho que a banda é minha preferida justamente por ser um turbilhão de referências musicais.

 

Ska, dub, hip hop, reggae, rock, violinos, guitarras, pianos, violoncelos… Tudo em quanto pode ser ouvido no disco deles. O fato de ser uma banda virtual ganha o contorno interessante só no primeiro momento: o bom mesmo é o som! Albarn viaja pra diversos cantos do planeta (ser filho de gente rica e ter ficado mais rico ainda com a música super ajuda) para tentar ouvir mais coisas e não tem medo de misturar. E, o talento dele não fica restrito à música. Ele é mestre em escolher bem quem participa das gravações. Com o Gorillaz já botou Ibrahim Ferrer, Dennis Hopper, Ike Turner e mais um monte de gente tudo junto, cada uma dando a sua contribuição.

 

E, mais recente, se juntou ao baixista do The Clash, Paul Simonon, e fez o The Good, The Bad and The Queen, com um som super distante da banda cartunesca, mas outro ponto pra carreira dele. Ele pode não ser um deus das guitarras ou o monstro sagrado do funk carioca, mas ele sabe muito bem como fazer que uma banda funcione. E isso, meu caro, é algo de quem entende de pop, o que, convenhamos, é uma arte!

Cinema:

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Hum… a gente tem que querer ser alguém do mesmo sexo nessa brincadeira? Porque, sério mesmo, se eu fosse ser alguém do cinema, queria ser a Uma Thurman. Começando pelo fato mais importante para mim: a gata é musa do Tarantino. Eu, realmente, queria ter um diretor freak e talentoso como ele sempre me esperando pro próximo papel.

 

O cara aguardou uma gestação inteira pra dar continuidade à Kill Bill. Por sinal, a personagem de Uma foi criação dela, em parceria com Quentin. Não acho ela bonita, mas é impossível não achá-la sexy. O olhar tem um quê de vagaba-vintage e a voz sabe dar ordem e tesão. Sem falar que acho mesmo ela talentosa. Alguém conseguir passar veracidade em uma luta de duas ninjas com música latina é prova, fio!

 

Tirando sua power drag Hera Venenosa, em Batman e Robin (mandem queimar as cópias desse filme, por favor!), a gata é o tipo de atriz que pode não entrar no top 10 de melhores de todos os tempos, mas vai ficar na cabeça de todo mundo enquanto Mia Wallace fizer de Pulp Fiction um dos melhores filmes de todos os tempos (rá, heresia!!).

 

Passo agora a bola pra Lucy, Maria e Line.

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