[disfarce seu desprezo]

[smash!]

17 Junho, 2008 · 4 Comentários

É difícil julgar um filme de super-herói. Primeiro porque, normalmente, a maioria dos que vão assisti-lo não são fãs do personagem, apenas o conhecem por conta de todo o hype que existe em cima deles, que é constante. Depois, por causa dos fãs ardorosos, que tratam os quadrinhos como guias de conduta moral com super-poderes e acham que qualquer alteração na trama é heresia.

Chegar a um consenso é tarefa complicada, mas não impossível. Basta assistir os dois X-men de Brian Synger, o Batman Begins de Christopher Nolan ou os dois Homem-Aranha de Sam Raimi (o terceiro não conta) para perceber isso. Mas, muito daí tem relação com o personagem retratado. Bruce Wayne com peitinhos na bat-roupa quase assassinou a franquia, mas ninguém iria querer um Peter Parker sem ironia.

Daí, sempre que eu penso em um filme do Hulk eu imagino muita coisa sendo destruída. Um ser de 472 quilos que fica mais forte quando mais raiva tem não pode ficar tomando chá das cinco com a rainha. Mas, diante de toda a dicotomia com sua versão humana, tendo “O médico e o monstro” como referência, dá pra saber que existe uma discussão mais profunda pelo meio.

Equilibrar isso à contento foi a tarefa passada para o ainda verde (!) diretor Louis Leterrier em O Incrível Hulk (The Incredible Hulk, EUA, 2008). De início, o cara teria de lucrar, já que a abordagem psicológica dada por Ang Lee na sua versão do gigante esmeralda de 2003 foi cinematograficamente bela, mas sem a pitada de blockbuster que um filme de herói pede e acabou não indo bem na hora da grana.

E, o que faltou em 2003, sobra em 2008. Sem essa de conversas mais profundas sobre a dificuldade humana de controlar o seu lado mais animalesco. Aqui o animal é verde e sempre zangado, quebrando tudo o que for possível para não ser capturado pelo Exército Americano.

Encarnado com a fragilidade correta de Bruce Banner por Edward Norton, mas sem o tempo necessário para divisarmos mais as duas personalidades, esse novo filme patina no que toca a necessidade que os super-heróis têm de despertar discussões, principalmente quando se pensa nos seus limites enquanto seres dotados de poderes além dos humanos normais.

Mas é ideal na capacidade de nos deixar intensos, querendo, realmente, esmagar tudo. Os efeitos especiais estão, como era de se esperar, anos-luz daqueles vistos em 2003, fazendo com que o visual até nos deixe esquecer a importância de uma história mais aprofundada. Junto à isso rios de referências, que fazem alegria de qualquer fã, com alusões à seqüência e à outros filmes da Marvel Studios.

O Incrível Hulk finda não sendo um filme ruim, aliás, longe disso. Ele garante a diversão esperado por um filme de super-herói, mesmo pecando em detalhes que, se não comprometem uma diversão com mais cérebro, acabam por evidenciar as falhas quando você resolver escrever sobre ele quatro dias após vê-lo. Mas, com sorte, a Marvel aprende.

Categorias: cinema · crítica · jornalismo

4 respostas Até agora ↓

  • Francisco // 17 Junho, 2008 às 2:19 pm | Responder

    1 – O terceiro homem-aranha conta sim.
    2 – Os peitinhos “farol-aceso” no pretinho básico do batman são bem menos importante que o Bale representando um bêbado.
    3 – Até que você tentou mas, “…ideal na capacidade de nos deixar intensos, querendo, realmente, esmagar tudo”, é uma das coisas mais bichas que eu já li. Parece coisa do Vanessão…
    4 – Belo texto negão, show de bola!

  • Mia // 17 Junho, 2008 às 4:50 pm | Responder

    Hmmmmm… então vou ver, pq na minha lsita quem está ganhando é Homem de Ferro…

    =*

  • Lucy // 18 Junho, 2008 às 12:19 am | Responder

    1- Também detesto homem-aranha 3 =~~
    2- Nada me traumatizou mais quando eu tava assistindo “batman e Robin” e deram um close na santa bunda do Robin! /DIE
    3-Eu ainda vou ver esse Hulk, ai depois eu te digo!:D

    ;**

  • Natália // 18 Junho, 2008 às 8:12 pm | Responder

    ahahaha… rindo horrores do comentário do Frans. Cara, sou muito fã dos Marvel filmes de super-heróis. Não acompanhei quadrinhos porque quando eu lia revistinhas gostava das menos poluídas visualmente, tipo Turma da Mônica. Até as do Pato Donald me irritavam. E, talvez exatamente por causa disso, muitas vezes eu me sinto perdida quando vou assisti-los no cinema, porque tem muitos detalhes que eu não sei. =/ Mas posso me considerar fã de todo aquele loserismo do Parker, da auto-confiança do Bátma e de toda a sabedoria do Professor Xavier! Assim como também me considero fã dos seus devidos vilões. =D Evil evil. Agora pq eu disse tudo isso? Não faço a mínima idéia. Deve ter sido só pra dizer que ainda não assisti o homem verde! =D

    ;*

    P.S.: O layout parecido com o meu me fez clicar umas 5 vezes no teu link no meu blog pra perceber que já tinha entrado. ahiauhaiuahiuah

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