para ler ouvindo don’t go away, do oasis, para o paradoxo ser ainda mais percebido
“You’re aching, you’re breaking
And i can see the pain in your eyes
Says everybody’s changing
And i don’t know why”
Everybody’s changing, Keane
A simplicidade das coisas é o que faz a gente não entendê-las. Você busca tanto encontrar razões maiores para os seus problemas bobos que eles findam por tomar de conta, crescendo como se precisassem de um entendimento quando, na verdade são bem mais passíveis de aceitação.
Eu poderia choramingar mais um tempo, até pensar que os ciclos farão tudo voltar ao seu posto, mas há muito eu decidi que a vida é espiralada e que entre o nascer e o morrer existem caminhos que se bifurcam mas nunca saem desse destino simples. O que vai surgindo pelo caminho, por vezes, parece até indiferente, tamanha simplicidade há em todo o processo.
Simplicidade não é algo ruim, mesmo que eu não esteja nem um pouco feliz enquanto escrevo isso. Relativizar tudo, por vezes, só faz com que a gente fique remoendo ainda mais soluções práticas, simplesmente porque é mais fácil pensar que tudo vai ficar bem. Mas, como diz a Fernanda Takai, “eu só não sei se vou ficar também”.
E, normalmente, não fica bem. Radicalismo à parte, já que ele faz meu estilo, eu creio que Deus é aquela vozinha na sua cabeça que, por mais incrível que pareça, sempre te diz o caminho certo à seguir. Alguma coisa que fica martelando te dizendo “Vai por aí” e que você sente dizer e que só se percebe o quanto ela era forte quando a merda já está feita.
Ela existe e é simples de seguí-la. Mas, se você a segue, uma parte do seu livre arbítrio vai embora e, pior, se tem a impressão de que não se viveu o mais legal só porque era provavelmente o mais doloroso no futuro. Escolher o mais fácil pensando em fugir do doloroso, eis a questão central das minhas fugas.
Não, eu não acho que seja melhor ir pelo mais fácil. Não, eu não acho que seja melhor martelar sobre uma questão que se mostra respondida, aí já sem pensar-se em dificuldades e facilidades. Eu não escolho o mais fácil mas, ao mesmo tempo, eu odeio tentar ver possibilidades aonde elas não existem.
Entretanto, ao aceitar a vida como uma espiral, eu aceito também que as minhas escolhas me farão perder muito do que, por um tempo, eu entendi como eterno. Vivo então naquela minha velha teoria de que a eternidade se mostra nas consequencias dos seus atos, em como eles te fizeram uma pessoa diferente.
E, se eu penso assim, transfiro esse pensamento, com toda a imaturidade que isso contém, para as pessoas que estão próximas à mim. Seguir em frente é uma opção, viver é uma obrigação e ser feliz é um jogo de tabuleiro. E num lance de dados, eu posso acabar indo além daquela casa em que eu era bem feliz e seguro para outra na qual eu ainda não enxergo bem onde colocar minhas coisas.
Eu sou extremista, imediatista, não respeito o tempo mesmo quando eu entendo que ele é bem mais forte do que eu. Mas é por querer tudo tão rápido que eu vivo as coisas intensamente e consigo ver (pelo menos em 99% dos problemas da minha vida, podem estar certos disso) que tudo é muito simples de resolver.
Sofro? Quem não sofre por fazer escolhas? Eu só não escolho o caminho mais fácil e, muito menos, desrespeito os meus sentimentos, mesmo que eu pense muito nos dos outros. Tá, deveria pensar mais, contudo e voltando sempre a minha bela adolescência de mendigar amizades, eu já fui, por tempo demais, aquele que pede.
Por mais que eu ainda não me acostume com a idéia de que as pessoas precisam de mim, por ter vivido uma boa parte da minha vida achando que eu precisava agradá-las com todo o meu esforço para que elas demonstrassem se importar, eu também sei ver que um dia essa vontade de ver acaba, como já acabou pra mim várias vezes.
Eu poderia querer o mais fácil, que tudo não passasse de uma brincadeira do tempo para que a vida que eu aprendi a considerar normal e que começou há quatro anos atrás pudesse, como por mágica, voltar, bastando eu ficar no meu quartinho fazendo tudo como se nada tivesse acontecido.
Não vai voltar. Não vai ficar do mesmo jeito, até porque já é completamente diferente do que era quando começou. Pessoas que saem, pessoas que entram, eu mesmo entrando na vida das pessoas e fazendo com que o que elas sempre consideraram como normalidade fosse transformado. É uma lei da selva às avessas, na qual não existem vencedores e ninguém é mais forte do que ninguém.
São só constatações de quem aprendeu a viver sozinho, desaprendeu completamente quando achou que tudo não passara de uma fase difícil na qual não sabia direito o que se era e, agora que sabe, vê que não manter relações eternas é o normal do ser humano. Quais os amigos de verdade que eu tenho hoje? Conto nos dedos… e eles cada vez sobram mais…
7 respostas Até agora ↓
Natália Vaz // 29 Abril, 2008 às 9:49 am |
Não comento mas ao menos te tenho linkado. Devo ficar feliz, então, de saber que vc não precisa de link para me visitar, neh? Ok! hahaha
;* Viado!
luana // 30 Abril, 2008 às 9:36 am |
eh.. acho q a voizinha na minha cabeca nao eh deus nao… pq toda vez q eu sigo dah errado…. de duas uma ou o meu deus eh meio do contra e quer mais eh q eu me foda.. ou.. eh o diablo.. hauuhahauhuauahuhahuhuahhauhuahauh
bjo mihguxo…
ps> como eh q tu espera eu ir embora pra comecar a sair com o povo do direito.. afff.. q contrasenso!!1
Mia // 2 Maio, 2008 às 2:34 pm |
Acho que esse período é passado por todo mundo, principalmente em grupos coesos, e que é passado através e ondas que saem do monitor do seu pc rrrssrs. Tuuudo verdade. Preferi deixar a música desligada =P
=*
clarinha // 5 Maio, 2008 às 1:17 am |
é…
nada volta.
acho mesmo.
Lucy // 5 Maio, 2008 às 10:44 am |
tu já sabe o que eu acho disse naquela nossa conversa regada a nescau e bolo de padaria, mas para mim a base do que é uma amizade sempre vai ser aquele trechinho de “Anos Incríveis”….
What would you do if I sang out of tune,
Would you stand up and walk out on me?
Biani Luna // 7 Maio, 2008 às 4:03 pm |
Aah, se forem simples, melhor ainda
qualquer coisa que faça tudo ficar mais fácil…
dont go away, tais apelando, né?!
;*
samdrade // 15 Maio, 2008 às 2:36 am |
prefiro o oasis…,D