[redes de carência]

Redes sociais, por definição, surgiram para aproximar pessoas. Através de gostos, desejos, sonhos, fotos, amigos esquecidos e lembrados, elas ajudam aqueles que precisam demonstrar que fazem parte de um contexto, seja musical, gamístico, literário ou mesmo de fetiches sexuais estranhos.

Ao fazer com que você perceba que não está sozinho por amar aquele filme trash da década de 80 ou mesmo dar voz à todos os comentários de todas as pessoas que tem um computador ligado à internet nas mãos, ela une e causa impressão de que não estamos mais sozinhos. Verdade? Em parte. Quem levanta a bandeira da necessidade das redes sempre justifica sua posição com alusões à vida atribulada que se leva hoje.

Como falta tempo para tudo, podemos nos manter perto de quem gostamos mais pela internet que pela vida real. O problema é que a desculpa se torna maior que a vontade de fazer um esforço para ver quem se ama. Daí que todas as frustrações dos relacionamentos vivos são transportados para a o mundo virtual e a importância das redes sociais fica maior do que deveria. “Mas sobre o que esse cara tá falando?”. Estou falando daquele seu conhecido que ficou com ódio de você quando descobriu que não estava entre seus amigos do orkut.

Falo daquela mocinha que adiciona todos os desconhecidos possíveis no Facebook, para aparentar aos outros que tem mais gente no seu perfil e, assim, parecer que é popular. Também do rapazinho que, para conseguir mais seguidores no Twitter, se vale de programas que dão a ele uma fama inexistente. As carências da vida se tornam virtuais e as cobranças também. Não seguir um amigo no Twitter é falta de consideração e emitir opiniões sempre é taxado como uma tentativa de aparecer.

Provavelmente isso aconteça porque tudo na internet é muito novo. Na ânsia de não ser apenas um na multidão, busca-se a rede como válvula de escape para uma rotina que é considerada chata. E tome vídeos em situações vexatórias, fotos que mostram mais do que deveriam, comentários em páginas que extrapolam a intimidade, etc. O tal “Barraco de Sorocaba” está aí provando isso. O que é privado e público ninguém sabe mais e uma mulher revoltada com a traição da amiga vê seu problema ser discutido em rede nacional, porque achava que só os mais íntimos veriam a gravação do acerto de contas.

Twitter, Facebook, orkuts e afins são meios fantásticos, realmente, de se manter contato com quem se ama. Mas, como quase tudo na internet, são livres, sem moderação, algo que deve ser mantido assim, pois é o que faz a rede mundial de computadores ser o que é. Por isso, há que se tomar sempre cuidado de não confundir aquilo com a vida real e perder a noção de que entre amizade verdadeira e modem há muitos bytes de distância.

[sobreviva ao hype]

No último domingo, mesmo com todos os dentes de Gorete (a feia que virou mais ou menos, do Pânico na TV) sendo mostrados ao vivo, uma galera gigantesca deixava as questões dentárias de lado e sofria com um streaming lento, lotado e, mesmo assim, adorado. Era o fim da era Lost, o seriado que há seis temporadas manteve uma legião de fãs malucos, que se desdobraram na tentativa de linkar todos as pistas deixadas pelo criador da série, J. J Abrams.

Daí você pensa: lá vem mais um cara falar dessa série que eu não vi. E eu digo: BATE AQUI, MERMÃO! Mesmo considerando J. J. Abrams um dos novos totems do entretenimento global, sendo viciado nessa coisa toda de ficar tentando achar agulhas em palheiros e, claro, um nerd de carteirinha, consegui sobreviver à era Lost incólume. Sei quem é Jack, Sawyer e até Locke, e já vi umas fotinhas da ilha e do avião todo destruído. Mas, apesar de todo o hype envolvido no seriado, a escolha de fugir dele deu certo. E nem chorei no domingo.

Para mim, hype é tudo aquilo que consegue angariar uma legião de fãs sem muito esforço. Pode ser bom, pode ser ruim, pode não ser nem bom nem ruim. Mas, de alguma forma, quando surge, faz as pessoas acreditarem que nada depois daquilo vai ser do mesmo jeito. Foi assim com a banda Strokes, por exemplo, que, taxada de salvação do rock em seu primeiro disco, teve no seu terceiro a crença de que quem precisava ser salvo era a turma de Julian Casanblancas.

Hoje em dia, em que bandas de rock, novidades tecnológicas e divas pop surgem por atacado, é fácil se pensar que o hype causa mais frustrações que o amor. Sempre existiu aquele grupo que transforma cultura pop em religião, os Jedis tão aí para provar. Mas agora, com a internet dando chance à todo mundo que tem talento, qualquer oportunidade que um produtor enxerga de espremer a laranja da qualidade do trabalho alheio é feita sem dó.

O lance não é a aparição dos talentos, mesmo que o egoísmo de muita gente sinta ódio eterno da internet. O que acho um problema é justamente a exploração de talentos que ainda não estão prontos, simplesmente com a exposição extrema deles. Sobreviver à um hype equivale hoje à não se molhar no meio dum temporal, em um descampado, sem roupa. Ou seja, meio que difícil, não é mesmo? Lost foi além do hype e suas seis temporadas provaram que o talento não tornou-se suco e pode ser explorado de forma a criar um mito.

Mas, como ninguém aqui vive perdido em uma ilha deserta, é sempre legal não deixar se levar pelas ondinhas e tentar entender que a gente escolhe o que é bom.

Coluna Pop Machine #3

[dos medos e vícios]

Vício

Eu tenho medo de vícios, sejam eles quais forem. Nos meus quase 25 anos, procurei ter o máximo possível de experiências, fosse para entender o que é tido como proibido ou para tentar compreender se aquilo seria uma perda ou um ganho na minha história. É certo que, na maioria das vezes, elas ficam sob a máscara de algo bom, já que, pelo menos, você vai saber do que se livrou. Mas, não importa qual seja a experimentação, em todas elas tento internalizar que não vai passar a ser necessárias.

Eu tenho medo de viciados. Eu tenho medo da forma com que algo que você nunca precisou para viver se torna tão assustadoramente controlador. Seja enquanto você está bitolado com a necessidade de ter aquela experiência ou após ela ter deixado de ser necessidade, o fato é que um vício é algo insuperável, por conta da incapacidade do corpo em resistir à ilusão de prazer que ele traz. Isso vai além de álcool, drogas, cigarro. Isso engloba amor carnal, relacionamentos familiares, qualquer insinuação de posse que venha revestida de cuidado.

Tenho medo de amar demais por causa disso. Tenho medo das crenças exageradas, que por tanto tempo me fizeram pensar que eu era uma pessoa errada e que, mesmo hoje, quando tenho a mais completa certeza de que sou feliz, ainda me atormentam. E, claro, o tormento acaba sendo compartilhado. A religião não impregnou de vícios apenas meus devaneios católicos. Ela faz com que, mesmo por outros dogmas que eu desconhecia até então, minha vida seja pautada pela necessidade de vencê-los.

O exagero é palco, para tentar expurgar todo o mal causado por uma crença que jamais aceitou a felicidade da forma como eu acreditava ser a única. É a crença de que seguir as regras estabelecidas é mais importante do que tentar um sorriso sincero e que fugir delas, mesmo que não haja racionalidade alguma que as explique, faz com que até mesmo a família celebrada pelo amor dos deuses seja colocada à parte, em prol do que Eles dizem ser correto.

Às vezes me pego pensando se toda aquela vontade de ser visto, de ser notado, de ser amado, de ser aceito não vem do receio de que o “eu mesmo” nunca foi compreendido pelo que sempre fomos colocados para acreditar.  Os vícios corroem não porque ainda existem, mas porque não deixam seguir em frente. É preciso gritar contra, demonstrar total controle sobre o que é oposto ao dito como certo, quando o descontrole emocional não deixa ver que o mais simples seria entender a liberdade como uma forma de entendimento.

Não é calar-se. Não é ficar mudo e esquecer o quanto sofreu. Jamais! Se existem erros, eles precisam ser anunciados, discutidos, tratados. O que não deve existir é o vício. É a idéia de que ir contra tudo e todos é a forma de expurgar um sofrimento que, pelo menos agora, só oprime por conta do tempo perdido. Mas será que é mesmo perdido? Provavelmente não. Se há forças pra externar o que pensa, ainda há forças para garantir felicidade.

E há como ser feliz mesmo sabendo que, na maior parte da sua vida, disseram que você estava errado. Mas não estava e é nisso que temos que nos segurar. E deixar o ódio para quem não entende. Nós, por aceitarmos, já decidimos que entendemos. Pelo menos um pouco.

[estranha mania]

estranho

“A vida de Brod era uma lenta percepção de que o mundo não era pra ela, e de que – fosse por que razão fosse – ela jamais seria feliz e sincera ao mesmo tempo. Ela sentia-se transbordar, sempre produzindo e guardando mais amor dentro de si. Mas não havia libertação. Mesa, bibelô de marfim em forma de elefante, arco-íris, cebola, penteado, molusco, Shabbos, violência, cutícula, melodrama, vala, mel, paninho ornamental… Nada daquilo a comovia. Ela abordava o mundo com sinceridade, buscando algo merecedor do enorme amor que sabia ter dentro de si, mas para cada coisa teria de dizer, Eu não te amo. Mourão de certa cor de casca de árvore: eu não te amo. Poema longo demais: eu não te amo. Nada dava a sensação de ser mais do que na realidade era. Tudo era apenas coisa, completamente atolada na sua coisice.”

Tudo se ilumina

(Everything is Illuminated)

Jonathan Safran Foer

Categorizar é uma característica evolutiva dos seres humanos. Os homens pré-históricos precisavam saber que animais poderiam caçar, quais as plantas que poderiam comer e, mais à frente, o que poderia ser plantado. Às mulheres, cabia a visão geral da casa, analisando todos os riscos que estavam ao redor da cria, dividindo-os através de categorias, como alimentos a serem evitados e quais animais que poderiam matar seus filhos. 

 

Hoje ninguém caça pra comer (sem trocadilhos) e não tem nenhum tigre dentes de sabre à solta para matar a cria. Mas, ainda assim, temos a mania de colocar tudo divididozinho em nossa cabeça, seja para conseguir fazer associações de um nome à uma pessoa ou saber que dois mais dois sempre vai ser quatro. Isso é bom e necessário, mas acaba sendo um tanto limitante. Pensando de forma egoísta, categorização faz com que padrões estabelecidos sejam mais difíceis de serem mudados.

 

Por exemplo, fica bem complicado para a minha mãe entender quando digo que não tenho religião mas, ainda assim, acredito em Deus. É estranho para ela alguém ter uma crença que não está definida: não é católico, não é evangélico, não é budista e nem mórmon. Isso cria um certo transtorno de associação, já que não vai existir aquela possibilidade de me colocar em alguma categoria que, através de um nome, vai tratar de definir grande parte do que eu possa ser.

 

A complicação disso tudo ainda é maior quando se pensa que são as categorias que fazem com que ser diferente não seja considerado normal. As vantagens evolutivas esbarram na diversidade humana, não permitindo que, em muitos casos, as pessoas consigam abrir melhor o pensamento na aceitação de algo que esteja fora dos padrões que ela está direcionada a considerar como certo.

 

E em pontos que rivalizam com a própria capacidade de adaptação das pessoas, fazendo com que a interação seja dificultada e a gente deixe de conhecer melhor um bando de gente porque esse bando está fora das categorias que a nossa mente resolveu classificar como corretas. Não é querendo justificar o preconceito com ciência, até porque isso soa como eugenia.

 

Mas é inegável que fica mais fácil viver quando se consegue estabelecer quem é quem na nossa cabeça. Fulano é empresário, gosta de futebol aos domingos e é flamenguista, além de ser do grupo de homens da igreja. Beltrana trabalha com artes plásticas, tem um namorado com quem vive, mas não é casada e cozinha todos os domingos para a mãe.

 

É preciso que a gente olhe para a pessoa e coloque-a nessas linhas, nesses espaços que vão ser preenchidos e que vão, tristemente, limitar as nossas escolhas na hora de nos relacionarmos. Apesar de, obviamente, não existir obrigação alguma de se viver dando atenção para todos, quando a categorização é baseada em aspectos que ficam restritos ao que se vê e ao que se ouve, há uma perda de oportunidades. O bom mesmo é ter as suas categorias mas que elas não sejam um empecilho para o desconhecido. Se ele não agradar, colocamos aquela sensação na prateleira do que não é bom. E seguimos em frente.

[ok]

“Procure me amar quando eu menos merecer. É quando eu mais preciso”

Provérbio sueco

É difícil. Mas é válido.

[7 espalhado]

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Ela quem mandou, eu mudei algo e pus 7 porque é o número do infinito.

1. Quando você está apaixonado, volta a ter 15 anos;

2. Quando você está apaixonado, perde o medo;

3. Quando você está apaixonado pensa que futuro é algo que só se monta em dupla;

4. Quando você está apaixonado finalmente entende as músicas;

5. Quando você está apaixonado descobre o quão bom é ficar o dia inteiro dentro de casa;

6. Quando você está apaixonado entende o que leva as pessoas à se casar;

7. Quando você está apaixonado quer que seja a última vez.

[amigos imaginários, amigos necessários]

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É engraçado como tendemos a ser pessimistas. E, mais engraçado ainda, é o quanto esse pessimismo tende a surgir especialmente quando tudo parece bem. Crescemos acostumados a uma certa idéia católica [não importa a sua religião, a sociedade ocidental tem um grande ranço católico, especialmente a brasileira] de que devemos sentir culpa de tudo o que fazemos fora daquelas idéias de caminho correto que as religiões estipulam.

 

Eu fui uma criança extremamente atormentada porque, desde sempre, tenho desejos e idéias que destoavam daquilo que, biblicamente, seria o certo a se fazer. E aqui não estou dizendo que era um prodígio, que ficava discutindo o sexo dos anjos na hora do recreio, longe disso. Aliás, seria até melhor se fosse assim. Eu era apenas um garoto medroso, que acreditava em inferno e, mais ainda, que ele começava mesmo na Terra.

 

Tive muitas atitudes que agora, em retrospecto, percebo que foram apenas naturais da idade, descobertas necessárias à qualquer ser humano. Mas, naquela época, me faziam sentir medo e culpa de forma física [cara, era dor mesmo] de um tanto que uma das minhas lembranças mais vívidas é de quando eu saia em meio aos ensaios da primeira comunhão para chorar, sentindo que não deveria receber aquele sacramento porque não era digno.

 

Ainda hoje tenho um enorme sentimento de repulsa com tudo que os crentes na fé católica me fizeram sentir e, ao mesmo tempo, não duvido que grande parte da minha índole [que, sem falsa modéstia, é completamente baseada no tal “fazer o bem sem olhar a quem”] teve os preceitos de Jesus Cristo com guias. Meu problema, claro, hoje percebo isso, não é com o que foi dito sobre ele ou com o que ele disse.

 

Na verdade, é mais em direção aquela frase do Sartre: “Não importa o que nos fizeram, o que importa é aquilo que fazemos com o que fizeram de nós”. Se tem algo que tento por tudo hoje é não reclamar tanto da educação que tive. Porque, sob a maioria dos aspectos, ela me fez ser uma pessoa que, na falta de palavra melhor, é boa. Mas, confesso, ainda é impossível para mim entrar numa igreja e não me sentir oprimido. Também mantenho dúvidas enormes sobre a minha fé e, mais ainda, sobre a necessidade dela.

 

Quando me vejo nesses momentos pessimistas, é quase instantâneo que o pensamento siga até deus [Deus?]. Mais ainda quando a sua felicidade iminente corre riscos, já que é meio raro sentir-se feliz em tempo integral. Quero chegar num ponto em que eu não precise acreditar só porque me sinto culpado de não fazê-lo. Quero poder escolher no que acreditar por ter chegado em um ponto que todos os meus traumas de infância serão superados [mesmo que aí pareça mais caso de análise do que crença].

 

Deus ainda me traz uma idéia maior de ser um amigo imaginário do que, realmente, uma força transcendental que move montanhas. Ser cético em relação à isso não me obriga a não achar que necessitamos dessa sensação de crença, seja em Deus ou em qualquer outra coisa. Crer é necessário, seja no que for. O fato de não termos como escolher isso quando nascemos é que faz com que aprendamos idéias que nos oprimem.

 

[esse texto, na verdade, era para ser um e-mail. Mas, acabou que viajei e se tornou isso. Meus traumas católicos mereciam um sem número de discussões, mais ainda com um profissional da área médica. Porém, enquanto não tenho grana para bancar, fico nessa de escrever]

[quem vigia os vigilantes?]

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Ler Watchmen te fez entender bem porque aquela que é considerada a maior HQ de todos os tempos também era considerada a mais impossível de adaptar para o cinema. Alan Moore e Dave Gibbons não criaram uma história apenas na qual personagens falam por meio de balões. Ao subverter a idéia de que o super herói é um deus ex machina e colocá-lo sob a pressão de viver como um ser humano (e o ridículo que pode surgir de um homem que resolve combater o crime de máscara), os autores discutiram toda a cultura envolvida na nona arte e mudaram a concepção do que é uma história em quadrinhos.

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Entretanto, da mesma forma que as mudanças trazidas por eles puderam mudar a forma com que os leitores de quadrinhos enxergassem o que tinham em mãos, o cinema atual também garante que todas as idéias possam ganhar vida, se colocadas no eixo correto. E poucas pessoas sabem se valer de uma boa história como Zack Snyder.

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O diretor já havia provado em Madrugada dos Mortos (remake do clássico feito pelo mestre George A. Romero) e 300 (de outra referência dos quadrinhos, Frank Miller) que sabe ser fiel às obras que adapta e tem por elas não apenas admiração: ele as reverencia, como um fã de verdade.

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E é essa força de defender a história que faz com que Watchmen (EUA, 2009) consiga sair das páginas dos quadrinhos e ganhar vida na telona. É preciso maturidade para ler a graphic novel. Watchmen surgiu em uma época que estava saturada de heróis bobos, que não possuíam identificação com seus leitores e que até mesmo já haviam sofrido perseguição (na época da caça as bruxas, do senador norte americano Joseph McCarthy).

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Alan Moore (que é também autor do ótimo V de Vingança) discutiu política, crença, relações humanas, sexo, amor, poder e mais um sem número de sentimentos humanos nos 12 volumes do quadrinho, criando uma obra atemporal justamente por essas discussões. Zack Snyder, junto dos roteiristas David Hayter e Alex Tse, conseguiu fazê-lo da mesma forma, transportando a HQ para as telas de forma quase idêntica.

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As cenas dos quadrinhos se movimentam, com posicionamentos de câmera que parecem ter sido colocados dentro das páginas. Locais, situações, até mesmo a adaptação dos trajes é baseado completamente no que é visto na história. A mudança mais forte é mesmo o final que, apesar de manter o objetivo, teve a forma de acontecer alterada. O que, levando-se em consideração o questionamento que fica ao fim da leitura, não tira o mérito.

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Apesar dos elogios, é bom lembrar que o filme não é daqueles que pode ser aproveitado de uma única vez. Watchmen traz uma maior possibilidade de entender o que mantém o fascínio humano por super heróis, quando coloca os próprios homens como detentores de “poderes” que os fazem combater o crime. Não vá ao cinema esperando cenas de ações mirabolantes [apesar que Snyder deu uma pincelada de maior violência, bem aos moldes dos anos 2000], mas sim uma história incrivelmente bem pensada, que fala sobre e para todos. E perceba que o que era impossível de adaptar pode ter se tornado um dos melhores filmes de quadrinhos já feitos.

[pedantes e inseguros]

Zeca Camargo é, indiscutivelmente, um cara que tem muita inteligência e muita sorte. Essa combinação nada comum de fatores deu à ele a possibilidade de não só hoje ser apresentador de um dos programas mais importantes da televisão [nem sei a quantas anda o Fantástico, faz tanto tempo que não vejo tv], como fez com que ele pudesse viajar o mundo inteiro para fazer o trabalho dele.

Zeca Camargo, apesar disso, é um grande poço de egocentrismo. Ler os seus textos é embarcar em uma ode à tudo que ele sabe, que ele ouve, que ele lê. É ficar com uma inveja danada de quem ele já entrevistou mas, ao mesmo tempo, ficar abusado do quanto ele acha que é importante por ter feito isso. E, pior, ele ainda tenta pagar de humilde, mas sempre acaba voltando a se mostrar como o tal.

Eu já pensava nisso desde que o seu livro de entrevistas com astros da música caiu em minhas mãos. Mas, só hoje, depois de ler isso aqui:

“Em tempo, só para esclarecer a discussão entre o IgorDG e o Josué, que mandaram seus comentários sobre a possibilidade de eu abraçar os livros no feriadão: a gente sempre acha tempo para ler alguma coisa… Neste carnaval, por exemplo, em função de uma aula que vou dar em breve, li uma ótima trilogia chamada “The liquid continent”, do canadense Nicholas Woodsworth. E ainda consegui ver “Milk” (como já mencionei) e “Quem ser um milionário?” – que, aliás, é nosso assunto de hoje”

em seu blog no G1 é que me deu o estalo para escrever não sobre ele, especificamente, mas a dúvida que me dá ver o quanto há pessoas inteligentes nada humildes. Eu mesmo conheço várias. Aquele pessoal que, por um pouquinho a mais de conhecimento que eles acreditam ter findam por estipular o que pode ou não garantir à eles mais um tanto de saber.

São aquelas pessoas frustadas por não viverem em uma Semana de Arte Moderna constante, em que o não entendimento da maioria é combustível para que eles possam tecer loas ao que eles também não compreenderam. É fácil identificar pessoas assim. Tempo desse eu mesmo vi um documentário de umas moças da UESPI sobre Intervenções Urbanas e essa necessidade pulsante de demonstrar erudição saltava na tela. Mas, tentar mostrar que se é inteligente só faz com que você demonstre que quer se vangloriar.

Por exemplo, eram comuns os discursos inflamados sobre o fato de que as Intervenções Urbanas eram a arte que ia contra o “sistema”. Me dava urticária ainda ver pessoas que, nos dias de hoje, usam a palavra sistema como se ela representasse um aglomerado de homens com cara de sangue-sugas em ternos Armani, prontos para garantir a vitória do capitalismo em todas as instâncias. Mas elas precisavam mostrar que entendiam algo daquela arte.

Precisavam dar uma opinião, dizer que eram poetas, que liam sobre aquilo tudo e, coitadas, acabavam engolidas nas palavras de quem, realmente, entendia do que estava falando, não porque demostravam essa buscada erudição, mas porque, simplesmente, se interessavam sobre o assunto e tinham como falar dele. O Zeca é um exemplo mais top.

Porque é visível que ele entende sobre o que está falando. A não ser que ele escreva bem melhor do que imagino, não dá para ter a segurança que ele tem com pedantismo. Mas me incomoda ver que, ao mesmo tempo, ele parece inseguro com as opiniões alheias, o que poderia justificar tamanha necessidade de dizer “Sim, eu posso” [nenhuma relação à obamania aqui, ok?]. Daí surgem esses dois grupos, o dos pendantes e os dos inseguros, que se encontram no receio de que achem que eles não entendem.

Como jornalista, acabo sendo cobrado diariamente para saber. Saber quem foi nomeado ministro, quem veio acabar com a farra corrupta, quem transou com a Jeniffer Aniston ou quem venceu o Oscar. Aliás, saber é pouco. É preciso dizer o que achei da nomeação, se concordo com as ações anti-corrupção, se o sexo da Aniston é notícia e se o Oscar foi justo. E, gente, isso é um saco.

Pode vir aqui outro jornalista argumentar que isso é algo da profissão, que temos de ficar sempre atentos para que tenhamos essa visão global, mas, por favor… Qual a vantagem em ser pedante ou inseguro? Não quero aqui me justificar de não saber fatos que, realmente, são meio que obrigatórios de se saber. E, admito, é terrível ouvir aqueles “Como assim, você não sabia?”.

Mas é que a gente vive num paradoxo tão grande ultimamente [informação demais que resulta em pouco conhecimento], que fico me perguntando se não seria mais sensato dar um direcionamento à isso tudo. Por exemplo, o próprio Zeca é craque em cultura pop. [eu não sei se o elogio ou se o detono, percebam].

O que me irrita é saber a quantidade de gente que acha que isso é sim importante e que jornalistas tem que dar opinião sobre tudo. Vai ver é culpa do sistema. Ou eu quem me enrolei todo nesse texto…

[eu caio e sacudo]

Há muito e muito tempo que venho, de blog em blog, falando sobre a minha completa ojeriza ao fato de que eu só sei amar demais. Não existe meio-termo, mais ou menos ou gostar com o tempo. Quando o assunto é esse, só funciona quando ponho o pé na jaca. Sem receios, sem medos, sem qualquer lembrança daquela última vez que doeu o suficiente pra que você desejasse a morte. Só a certeza de que, dessa vez, é bem maior que a última e assim sucessivamente.

Mas, assim como acontece com o amor que sinto pelo meu irmão, tenho o pensamento racional de que amar demais é um problema sério, visto sob a ótica do Rafael (como sempre). Primeiro, por conta do meu puta “complexo de superioridade direcionado à merdas”. Explico: não é um convencimento que faz com que eu fique fazendo ar de blasé para qualquer pessoa que tenha qualquer frescura comigo.

Eu me acho de pensar que sempre sempre sempre que a pessoa que eu ame tem um problema, a culpa é minha. Do tipo que um “A gente precisa conversar” desencadeia toda uma série de pensamentos pregressos sobre o que eu possa ter feito, sob que circunstância e blá blá blá. Mesmo com a consciência limpa, sabendo que não havia nada com o que se preocupar, fico encucado achando que aquela conversa será o início do fim.

E, na maioria das vezes (NA MAIORIA DAS VEZES) o problema é algo externo, distante, e o “A gente precisa conversar” significa “Quero conversar com você porque isso me acalma”. Mas, antes de saber disso eu já analisei todos os meus passos, minhas refeições, até as vezes em que fui ao banheiro pra saber se fiz alguma cagada [não literal] que justificasse a conversa. Bom, isso é só um exemplo, mas a minha gastrite entre numa lombra louca com ele.

O fato é que amar demais [e, é bom deixar bem claro, dá pra amar demais mesmo sendo correspondido] te deixa com muitas dúvidas sem sentido, típicas de quem está apaixonado, mas extremamente cansativas para alguém que, como eu, tem noção de o quanto elas são desnecessárias. Porque não é suficiente ouvir um “Eu te amo”? Não faço idéia. Mas é certo que, da mesma forma que a distância traz dúvidas, a proximidade retira toda preocupação e lá estou eu com raiva de novo de mim mesmo porque, não adianta, não fico com raiva de quem eu amo quando ela está por perto.

É um paradoxo constantemente renovado, ainda mais quando os problemas que te cercam acabam ficando restritos à situação do seu relacionamento. Sabe aquele lance de que o ser humano é um eterno insatisfeito? Então! Encontrar problemas onde eles não existem é uma dolorosa forma de não acreditar em tanta felicidade. Estranho demais, minha gente…