
Redes sociais, por definição, surgiram para aproximar pessoas. Através de gostos, desejos, sonhos, fotos, amigos esquecidos e lembrados, elas ajudam aqueles que precisam demonstrar que fazem parte de um contexto, seja musical, gamístico, literário ou mesmo de fetiches sexuais estranhos.
Ao fazer com que você perceba que não está sozinho por amar aquele filme trash da década de 80 ou mesmo dar voz à todos os comentários de todas as pessoas que tem um computador ligado à internet nas mãos, ela une e causa impressão de que não estamos mais sozinhos. Verdade? Em parte. Quem levanta a bandeira da necessidade das redes sempre justifica sua posição com alusões à vida atribulada que se leva hoje.
Como falta tempo para tudo, podemos nos manter perto de quem gostamos mais pela internet que pela vida real. O problema é que a desculpa se torna maior que a vontade de fazer um esforço para ver quem se ama. Daí que todas as frustrações dos relacionamentos vivos são transportados para a o mundo virtual e a importância das redes sociais fica maior do que deveria. “Mas sobre o que esse cara tá falando?”. Estou falando daquele seu conhecido que ficou com ódio de você quando descobriu que não estava entre seus amigos do orkut.
Falo daquela mocinha que adiciona todos os desconhecidos possíveis no Facebook, para aparentar aos outros que tem mais gente no seu perfil e, assim, parecer que é popular. Também do rapazinho que, para conseguir mais seguidores no Twitter, se vale de programas que dão a ele uma fama inexistente. As carências da vida se tornam virtuais e as cobranças também. Não seguir um amigo no Twitter é falta de consideração e emitir opiniões sempre é taxado como uma tentativa de aparecer.
Provavelmente isso aconteça porque tudo na internet é muito novo. Na ânsia de não ser apenas um na multidão, busca-se a rede como válvula de escape para uma rotina que é considerada chata. E tome vídeos em situações vexatórias, fotos que mostram mais do que deveriam, comentários em páginas que extrapolam a intimidade, etc. O tal “Barraco de Sorocaba” está aí provando isso. O que é privado e público ninguém sabe mais e uma mulher revoltada com a traição da amiga vê seu problema ser discutido em rede nacional, porque achava que só os mais íntimos veriam a gravação do acerto de contas.
Twitter, Facebook, orkuts e afins são meios fantásticos, realmente, de se manter contato com quem se ama. Mas, como quase tudo na internet, são livres, sem moderação, algo que deve ser mantido assim, pois é o que faz a rede mundial de computadores ser o que é. Por isso, há que se tomar sempre cuidado de não confundir aquilo com a vida real e perder a noção de que entre amizade verdadeira e modem há muitos bytes de distância.











